Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Os mansos herdarão a terra


Por Ricardo Gondim ( www.ricardogondim.com.br )

Resisti ao fuso horário e na madrugada do dia 5 de novembro de 2008, sem um pingo de sono, acompanhei a vitória de Barack Obama. Chorei emocionado. Eu era cidadão do mundo, por isso vibrei como se festejasse uma final de Copa do Mundo. Senti-me irmão de todas as nações, tribos e povos que celebraram o exato momento em que terminou a votação na costa do Pacífico e as redes de televisão declararam a vitória de Obama.

Engasguei quando vi Jesse Jackson, o amigo que abraçou Martin Luther King Junior antes de sua morte, com os olhos encharcados de lágrimas. Como um raio, lembrei-me de 3 de abril de 1968, na véspera do seu assassinato, Martin Luther King pregou como um profeta:

"Bem, agora não sei o que me acontecerá. Teremos alguns dias muito difíceis pela frente. Não tem importância para mim agora, porque eu já estive no topo da montanha. Não me importo. Como qualquer um, eu gostaria de ter vida longa. Longevidade tem o seu lugar. Mas não estou preocupado com isso agora. Eu só quero fazer a vontade de Deus. E ele tem me deixado ir ao topo da montanha, já posso enxergá-la; eu já vi a terra prometida. Talvez não chegue lá com vocês. Mas quero que saibam hoje à noite, que nós, como povo alcançaremos a terra prometida. Estou feliz nesta noite. Não estou preocupado com nada. Não estou com medo de nenhum homem. Meus olhos já viram a glória da vinda do Senhor."

A eleição de Obama cumpriu esta profecia. Equivale, na história, ao dia em que Nelson Mandela foi libertado na África do Sul. Portanto, a festa não é só estadunidense, mas de todos os que amam a liberdade. As gerações futuras mencionarão o dia 4 de novembro de 2008 com orgulho. Será o dia em que foram curados os vergões deixados pelo chicote da escravatura; quando intolerância e preconceito perderam força; o dia em que as escravas trocaram seu lamento pelo riso; dia em que os negros puderam andar de cabeça erguida, sem se sentirem diminuídos pelo ódio racial; dia em que caiu por terra a antiga e estúpida teologia que ligava a maldição de Cã, filho de Noé, aos afro-descendentes.

Enquanto pregava em uma igreja pentecostal no sul dos Estados Unidos, acompanhei o pastor numa visita a um senhor, membro de sua comunidade que havia sido hospitalizado. Na enfermaria, o pastor comentou que notara sua ausência e perguntou se ele tinha algum motivo para faltar aos cultos. O doente respondeu que não retornaria enquanto negros continuassem freqüentando as reuniões. “Mas, eles também são filhos de Deus”, retrucou o pastor. “Não, os negros não são filhos de Deus porque nenhum deles tem alma”, respondeu o pobre homem. Envergonhado, meu amigo abreviou a visita; no trajeto de volta não trocamos nenhuma palavra.

A Ku Klux Klan não prevaleceu. Rosa Parks, a costureira que teimou em não ceder o lugar no ônibus para um branco no Alabama, sorri de alegria. Fez-se justiça a Medgar Evers, covardemente assassinado no Mississipi. Mais uma vez venceu o bem na longa, oblíqua e muitas vezes esburacada, estrada da humanidade. Jesus Cristo tinha razão: “os mansos herdarão a terra”.

Godspeed, Barack Hussein Obama!

Soli Deo Gloria.


comment:
Muito mais que uma vitória política, acredito que a vitória de Barack Obama é uma vitória cultural, que iniciou-se com a luta e determinação um homem notável chamado Martin Luther King. Compartilho a idéia que ele se emocionaria neste momento.
Começo a olhar com mais otimismo para o futuro, que aponta para um mundo onde realmente irá existir igualdade entre os seres humanos.

Flavio ( FHCA )

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Extremismo é a melhor solução?

Considero o movimento pentecostal importantíssimo na história do cristianismo contemporâneo. Historicamente, as reuniões presididas por William Seymour na Rua Azusa em 1906, e a sua expansão, foram essenciais num momento tenso em que o racionalismo ganhava cada vez mais terreno, e que influenciava até mesmo alguns teólogos daquela época que passaram a questionar bases do cristianismo, como o pecado original e a existência de um Deus pessoal que se relaciona com os seres humanos. Podemos dizer então, que fundamentalmente o pentecostalismo foi um protesto espiritual contra o “secularismo” na igreja do inicio do século XX.

Se no começo do século passado o pentecostalismo foi fundamental como movimento, hoje 102 anos depois, no seu apogeu, ele me assusta. Por quê? Por um motivo bem simples. Ao longo dos anos estão transformando o pentecostalismo de um propósito muito sutil (de resgate de valores e do despertar ao relacionamento com Deus por meio do Espírito Santo) em uma fórmula de alienação de massas e controle ideológico.

A maioria dos pentecostais contemporâneos tem uma idéia empírica do que é relacionamento com Deus, baseados não em conhecimento, mas em experiências. Há uma inclinação a uma visão pragmática da funcionalidade e não da veracidade. Aliás, a grande maioria das pessoas que freqüentam as igrejas pentecostais tem um conhecimento muito reduzido sobre Deus e sobre as verdades bíblicas, mas muitas experiências pra contar. Vivencio uma tendência ao extremismo que diz que aqueles que procuram biblicamente defender os ideais cristãos são “crentes nominais”, “frios” ou “pouco revestidos”, enquanto os manipuladores emocionais de massas são vistos como “homens de Deus”. ( imagino o que pensariam de Paulo nos dias atuais ou no próprio Jesus que declara quando preso que “ensinou todos os dias” )

Não me considero um racionalista e muito menos (embora tenha freqüentado a vida inteira igrejas pentecostais) um pentecostal no sentido coloquial da palavra. Não posso ser um racionalista, porque se o fosse, provavelmente minhas deduções me levariam a duas opções: negar a existência de Deus como faz todos os ateus, ou negar a existência da ligação que existe entre Deus e os homens. Acredito incondicionalmente na existência de Deus, e ainda muito mais que ele quer, e se relaciona conosco. Por outro lado não poderia ser um pentecostal ( no sentindo coloquial ), pois não acredito que ações extravagantes, lágrimas, suor, glossolalia, gritos que mais parecem aquilo que Jung chamou de “histeria coletiva” representam fielmente o modelo ideal de relacionamento, que devemos ter com Deus.

Não posso como cristão simplesmente esquecer que o cristianismo tem muito mais de conceitual e aprendizado do que experiências emocionais. Jesus é muito mais importante pelo seu ensino do que pelos milagres que operou. A maior parte do Novo Testamento são de ensinos e conselhos. Paulo e os outros apóstolos exaustivamente orientam as igrejas. O próprio Jesus diz que suas palavras são “Espírito e Vida”. A Palavra tem papel tão importante na vida cristã que é chamada de pão e alimento, ou seja, vital para que se haja vida. Entre as funções do Espírito Santo que muitos ignoram está: “fazer-vos lembrar das palavras que eu vo-los tenho dito”.

O que quero dizer é: não há como menosprezar as manifestações do Espírito Santo. Acredito nelas como já as presenciei. Porém não posso aceitar que a vida cristã seja resumida em apelo emocional, ritualístico, extravagante e até mesmo esotérico. Coisas básicas como mudança de vida, amor ao próximo só vão conseguir fazer efeito em nós quando deixarmos que os conceitos e valores de Deus entrem nas nossas vidas por intermédio do ensino da Palavra, e não quando entrarmos em transe coletivo em um dos apelos frenéticos de algum “profeta” espalhafatoso, e aqui, fatalmente deparamo-nos como uma atividade mais conceitual do que emocional. A verdadeira fé é sentir-se amado, querido e perdoado por Deus sem a necessidade de demonstrações espetaculares. Quem realmente conhece a Deus, não precisa senti-lo de vez em quando, pois tem convicção que ele está presente a todo o momento porque é exatamente isto que Palavra diz.

Concluo que o melhor caminho a seguir é evitar os extremismos. Parece-me que há uma idéia disseminada que é impossível viver um cristianismo sem “escolher um lado”, “escolher um rótulo”, ou “uma verdade absoluta”. No livro Cristianismo Equilibrado John Stott diz:

“Alguns crentes são tão friamente intelectuais que se questiona serem eles mamíferos de sangue quente, para não dizer seres humanos, ao passo que outros são tão emocionais que se deseja saber se são possuidores de uma porção mínima de massa cinzenta. Eu me sinto constrangido a dizer que o mais perigoso dos dois extremos é o anteintelectualismo de depois a entrega ao emocionalismo...
Sinto-me na obrigação de acrescentar, contudo, que se o antiintelectualismo é perigoso, a polarização oposta é quase igualmente perigosa. Um hiperintelectualismo árido e sem vida, uma preocupação exclusiva com ortodoxia não é cristianismo do Novo Testamento. Não há dúvida de que os crentes primitivos eram profundamente motivados pela experiência de Jesus Cristo.”


Posso muito bem ser pentecostal, não extremista, que entende a importância de uma vida de momentos e Ação do Espírito, porém não ignorando os meios conceituais que envolvem a mensagem do Evangelho. Não precisamos de extremismos. Conhecimento e espiritualidade podem andar de mãos dadas, sem racionalidade e extravagâncias religiosas.

Flavio ( FHCA )

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

O que está acontecendo?


“ Lembre-se de onde caiu! Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele” ( Apocalipse 2:5)


Olho com muita desconfiança essa exuberância evangélica em que vivemos. A mensagem que é pregada as massas nos nossos dias, não consegue de forma nenhuma responder as minhas inquietações. E elas são muitas.

Observo que a grande “sacada” é manipular de alguma forma o sobrenatural. Impressiona-me a necessidade dos cristãos brasileiros provarem de alguma maneira que os milagres acontecem a borbotões. Basta olhar o quanto se gasta em programas de televisão. Se você ligou a sua TV às seis horas da manhã, verá que em pelo menos 14 ou 15 canais há alguém falando como sua vida foi “mudada”, que Deus “funciona”, que os crentes vivem protegidos de acidentes, doenças e desemprego; e que a doutrina evangélica gera certezas absolutas. Toda essa propaganda só mostra como estamos nos distanciando da nossa vida, e de alguma forma queremos transformar nossas igrejas e comunidades em uma espécie de “ilha da fantasia”.

A realidade é: os valores cristãos estão invertidos. Vivemos de uma maneira obsessiva buscando segurança e conforto, uma espécie de “sonho americano”. Oramos por um bom emprego, jejuamos pelo carro novo, ofertamos e dizimamos pela casa na praia. O foco sempre é o meu próprio “eu”. Sempre pensamos em nós mesmos. Vivemos uma religião que está nos transformando em seres mesquinhos, egoístas e elitizados, quando deveria estar nos transformando em pessoas amorosas, humildes e coletivas.

Acredito que a luz do fim do túnel é uma mudança radical de atitude e de abordagem. Devemos viver uma fé mais “pé no chão”, considerando a realidade desta geração. Devemos nos desfazer do nosso cinismo e enxergar o mundo com os olhos que Jesus enxergava. Diga-me, como posso orar pra Deus queixando-me pelo fato de querer trocar o meu carro por outro mais novo, ignorando que esta noite pelo menos uma criança morrerá debaixo de alguma ponte em São Paulo. Diga-me, como posso fazer uma campanha para ganhar mais dinheiro, quando uma criança sofre de desnutrição em alguma vila da África e ao mesmo tempo um jovem está sendo assassinado por dívidas de drogas em algum lugar do Rio de Janeiro.

Devemos aprender a desencantar o mundo e agir com mais companheirismo e dignidade. O que adianta fazer uma grande concentração e ungir todas as ruas de uma cidade declarando: “tal lugar é do Senhor Jesus”, se nesta mesma noite, as mesmas pessoas que fizeram tal estardalhaço voltarão para casa em carros luxuosos e ignorarão todos os mendigos, prostitutas e crianças abandonadas que cruzarem pela rua.

Devemos ser menos apologéticos e mais construtores da história. No mundo pós-moderno em que vivemos as pessoas não se preocupam tanto com a verdade, mas com a credibilidade. Deveríamos estar mais preocupados com nosso testemunho do que com nosso discurso. Um bom exemplo é quando resolvemos fazer uma obra social. Normalmente não conseguimos separar o que são atos de caridade e a tarefa mais difícil, que é mudar a percepção que uma pessoa tem de si. Com freqüência, nossa motivação tem sabor de paternalismo (a notar pelos termos que usamos: “necessitados”, "excluídos" ou "subclasse"). Eu, o instruído e bem de vida, estendo minha mão compassiva para ajudar você a melhorar. Vemo-nos como aqueles que estão do lado de Cristo simplesmente por estarmos doando algo aos necessitados. O Novo Testamento deixa claro, porém, que Jesus está ao lado dos pobres, e que serviremos mais adequadamente se elevarmos os tais excluídos à posição de Jesus. John Ruskin, um escritor cristão define isso muito bem: “a motivação da caridade não é a condescendência, mas a ascendência: ao servir o pobre e fraco, temos o privilégio de servir o próprio Deus”.

Devemos fazer com que se esgote a nossa soberba onipotente e que sejamos revestidos de virtudes. Devemos nos revestir de coragem e determinação para enfrentar a verdade de existir com tudo que a vida traz de bom e ruim. Devemos abrir mão do mágico para nos consagrarmos ao cotidiano. Devemos desistir de ignorarmos os problemas do mundo e agir com mais audácia e com menos do nosso cinismo que insiste em dizer que não temos nada a ver, ou que a responsabilidade é de outros. E enfim, necessitamos urgentemente esvaziar o nosso desejo de reluzir e resgatar a riqueza da simplicidade.

O apóstolo Paulo nos faz um convite a não nos“amoldarmos aos padrões deste mundo”, mas nos transformamos pela renovação da nossa mente, das nossas atitudes, para que sejamos capazes de “experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” ( Romanos 12:2 NVI ). Essa sim é uma grande inquietação: como, a luz do Evangelho, resgataremos e redimiremos as nossas igrejas e comunidades, dando-lhe um aspecto mais humano e mais divino?

Pense nisso

Flavio ( FHCA® )

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Milagre pelo milagre


Por vezes pergunto-me: “Será que sou de outro planeta?”. Pode parecer loucura, mas confesso que na maioria das vezes não consigo conciliar a minha vida com a proposta de vida exuberante que a classe evangélica brasileira, na qual estou inserido, preconiza com tanto estardalhaço.

Confesso que não consigo olhar com naturalidade toda esta onda neopentecostal de campanhas, prosperidade, orações fortes, determinações, posse, restituições, milagreiros e seus prodígios. Como João Alexandre disse sabiamente “...não consigo me encaixar neste esquema...” que mais parece o roteiro positivista do livro “The Secret” do que propriamente o Evangelho.

Os milagres parecem ser o grande mote evangélico, a grande jogada de marketing, a “sacada”. Cada vez mais vejo pessoas entrarem nesta grande corrida pelos milagres, como se fosse à grande corrida do ouro.

Admito estar fora desta “corrida” por um motivo bem simples: acredito que o milagre não é o normal, o milagre é uma exceção. “Como assim?” você deve estar se perguntando, “você não acredita no poder de Deus?”. Como dizem por ai: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Acredito tanto no poder de Deus e no que ele é ( soberano ) que um milagre apenas me convenceu: o milagre do Deus encarnado morrendo por causa de vidas na cruz e posteriormente ressucitando.

O milagre é uma exceção e nem precisaríamos da Bíblia para provar isso, bastaria o Aurélio:

Milagre: Feito ou ocorrência extraordinária, que não se explica pelas leis da natureza
Extraordinário: Não ordinário; fora do comum; excepcional, anormal
Excepcional: Em que há, ou que constitui ou envolve exceção
Exceção: Desvio da regra geral


Alguma dúvida ainda de que os milagres não são nem de perto aquela coisa que é apregoada pelos curadores e solucionadores de problemas de plantão? Se o milagre é tão comum como esses senhores querem nos fazer acreditar, ele se torna a normalidade, e logo não será mais um milagre, pois necessariamente o milagre tem que ser uma excecão, algo extraordinário, anormal, excepcional. Se pensarmos nessa espécie de coloquialismo dos milagres, nesse deus lobista que mexe os pauzinhos para os seus preferidos de acordo com a quantidade de vezes e o valor dos seus “votos de fééééééééé!!!”, nesse deus injusto que favorece alguns e menospreza outros, que condiciona suas ações, estaremos muito distante do Deus da Bíblia que escolheu o vínculo do amor para se relacionar com os homens. Corremos o risco de venerarmos uma distorção do verdadeiro Deus.

O milagre pelo milagre não tem nada a ver com Deus. Se você já leu a Bíblia, me mostre apenas um milagre que não tivesse um objetivo maior do que o próprio milagre em si, e ficarei satisfeito. Jesus não curava apenas pelo simples fato curar. Jesus curava de uma maneira holística, total. Quando Jesus curava os cegos ele não abria somente os seus olhos físicos. Quando ele curava paralíticos e os fazia andar, não era só para andar pelos caminhos desse mundo, ou ainda, quando ele trazia as pessoas à vida, será que ele queria trazer apenas as pessoas para viver esta vida?

Não! Estou resoluto que as intervenções divinas têm um objetivo muito além da maneira simplista que a percebemos. Arrisco-me a dizer Deus nunca vai fazer um milagre apenas pelo milagre, na verdade, particularmente, não quero um milagre na minha vida se ele não for me ensinar nada ou ainda se ele não agregar nenhum valor a minha vida e ao meu relacionamento com Deus.

Estou certo de que não preciso de um curandeiro, mas preciso de um pai, que mesmo quando ele não dá aquilo que eu quero ele me abraça e me diz: “Eu te amo”. Esse é o Deus que necessito. Não um milagreiro, mas um parceiro, amigo, companheiro que “ainda que eu ande pelos vales da morte” estará comigo, não resolvendo meus problemas, mas caminhando comigo, dando-me criatividade, sustentando-me para que não me arrebente debaixo dos problemas, incentivando-me e dando propósitos a minha vida, me alinhando a sair um ser humano melhor do que quando entrei em dificuldades, mas que me deu a certeza que a todo o momento Ele esteva junto de mim, incentivando-me. Isso é fé: confiar no caráter de Deus. Fé é saber que ele me ama e me quer bem mesmo que não tenho 250 milagres para provar, mas somente por que acredito que é uma decisão unilateral de Deus me amar.

O milagre pelo milagre... Não pode ser o meu objetivo quando ainda existem crianças morrendo de fome, vivendo à margem da sociedade e que muitas delas não alcançarão a idade adulta ou ainda quando existem pais de famílias que chegam às suas casas ( ou o que deveria ser chamado de casa ) e olham para os olhos ansiosos dos seus filhos sem poder fazer nada para atendê-los, pois ele não conseguiu o tão sonhado emprego após a sua centésima tentativa. O milagre pelo milagre perde o sentido neste mundo de injustiças, onde possíveis pessoas notáveis estão se perdendo para as drogas ou para o crime organizado. O milagre pelo milagre não tem sentido num mundo sem amor, compreensão e justiça onde as pessoas se odeiam. Agora me pergunto: de quem é a responsabilidade de contagiar o mundo com amor, compreensão e justiça? É, mas acho que estamos mais preocupados em resolver primeiramente os nossos problemas, lotando os mega templos da vida e se sobrar algum tempo ai sim poderemos pensar um pouco nisso.

Não quero o milagre pelo milagre, mas quero te encontrar e te entender no sublime, na fronteira dos meus pensamentos, no elo entre a minha humanidade e a sua sobrenaturalidade, onde o meu maravilhamento não é capaz de elucidar o tamanho da minha reverência, mas posso enfim entender o que significa a palavra AMOR, e ai, renovado, possa fazer alguma diferença neste mundo que está minado.

Flavio ( FHCA ®)


Precisamos de outras respostas para o sofrimento humano; os pressupostos desses evangélicos, que anunciam cura com tanto estardalhaço, não abarcam a complexidade do sofrimento universal.
Proponho que os prodígios do Evangelho sejam outros; que a presença de Deus se revele no serviço, no amor solidário e na compaixão. Que as mãos e os pés de Deus sejam as mãos e os pés dos que não fogem da dor alheia. (Ricardo Gondim)

Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Debate fé e descrença

Estivemos presente no debate realizado pela Editora Mundo Cristão na última sexta-feira, na Bienal do Livro em São Paulo.



Trazendo à tona um tema relevante e pouco discutido em nossa sociedade, dentro e fora das igrejas, propôs um debate sobre a fé. Baseados na temática trabalhada por Ruth Tucker no livro Fé e descrença, lançado pela Mundo Cristão, estiveram presentes o Pastor Ricardo Gondim da Igreja Assembléia de Deus Betesda, em São Paulo formado pelo Genesis Training Center (USA)e autor de diversos livros sobre o assunto. Também estiveram os professores Jung Mo Sung - Pós-doutorado em Educação e Doutor em Ciências da Religião, professor da Universidade Metodista de São Paulo e
Prof. Luiz Felipe Pondé - Filósofo, professor da PUC - SP e da FAAP e articulista da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. O debate foi mediado pelo jornalista Sérgio Pavarini, criador do Pavablog.

O pastor Ricardo Gondim abriu a discussão falando sobre a busca das pessoas pelo conforto quando enchem as igrejas todos os domingos, reforçando a idéia de que em muitas ocasiões o foco de sua caminhada cristã não está em Deus e nas verdades eternas.

O católico Jung Mo Sung, segundo a falar, iniciou seu discurso dizendo que satanás acredita na existência de Deus e que não basta simplesmente acreditar para afirmar que se tem fé. "Fé tem a ver com prática e não com cognição", disse ele. Mo Sung também afirmou que "Quem não tem dúvida, não sabe o que é ter fé. Não precisa orar".

Seguindo a ordem da mesa, o terceiro a expor suas idéias foi Luiz Felipe Pondé, definindo-se como filósofo, não-cristão e uma pessoa sem dúvidas quanto a sua crença. Ele disse que as pessoas resistem ao sofrimento, acreditam que tudo vai dar certo sempre e que "Deus é o melhor conceito que a filosofia já criou".

No decorrer do debate, foram levantadas outras questões, como as crenças do judaísmo, as idéias de Freud, Darwin e outros pensadores, a existência da teologia e suas contribuições para a compreensão do mundo e as vantagens e desvantagens da dúvida para o desenvolvimento humano.

Em cerca de duas horas os presentes ouviram diversos argumentos sobre a fé e a dúvida, ampliando os horizontes avistados por Ruth Tucker.


Ricardo Gondim

"Os crentes estão em busca do conforto quando vão às igrejas aos domingos"

"A verdade está no mistério do sublime"

"O que dizer de Deus? Tão pouco! Espero, tão somente, que o meu espanto expresse o tamanho da minha reverência."


Mo Sung

"Fé tem a ver com prática e não com cognição"

"Ninguém fica perdido em uma cidade com uma rua só. Fica perdido em uma cidade com muitas ruas. O ser humano nasce perdido"

"Quem não tem dúvida, não sabe o que é ter fé. Não precisa orar"

"Todas as certezas sobre Deus são falsas. Se eu tenho certeza sobre Deus, não é Deus, é um ídolo"

"Cristianismo não é religião do mistério. Jesus disse: 'Tudo que Deus me revelou eu contei para vocês'"

"Deus não é do tamanho da nossa mesquinhez"

"Amor não forma ordem, forma desordem. Pessoas apaixonadas tornam suas vidas um caos!"


Pondé

"Eu sou filósofo. Não sou cristão. Não tenho problema de dúvida"

"A sociedade resiste ao sofrimento. Acha que no final tudo vai dar certo"

"Há pessoas que pensam: Ou eu sou ortodoxo ou eu me abro para a modernidade"

"Para eu me preocupar com justiça, não preciso ter fé"

"O trauma é o que dá forma no corpo"

"A teologia não tem nenhuma capacidade de enfrentar o Darwinismo"

"O trauma é o que dá forma no corpo"

"O legal é ser legal sem saber se vai dar certo"

"Acúmulo de design cego: Este é o nome do conceito do Darwinismo que acua a idéia de que seja necessário a existência de um ser inteligente para colocar ordem no universo"

"Você não precisa da teologia para discutir justiça social, saúde, razão, etc."

"Deus é o melhor conceito que a filosofia já criou"

"Inseguros somos nós todos"







Flavio
Marcos

Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Viver não é para amadores !

“Viver não é para amadores. Cuidado, não se perca! Portanto, muito siso” (Pr. Ricardo Gondim)

Não há como olhar para essa afirmação paradoxal, sem ao menos ficar reflexivo quanto a esta questão: a vida. Temo, que muito de nós centrados em nossas convicções e nos nossos paradigmas, estamos sendo apenas espectadores, vendo da “janelinha” nossas vidas se esvaindo, e inertes, consentimos com esta situação.

Uma das coisas que fazem com que sejamos apenas observadores das nossas vidas provavelmente seja a grande dificuldade das pessoas em lidar com a liberdade. A responsabilidade em tomar decisões, as conseqüências delas, ou ainda a idéia de que Deus deixa que eu escreva a minha própria história pode parecer para alguns algo muito complicado. Por isso é muito mais fácil eu colocar a culpa no diabo e me isentar.

O padrão religioso de vida (o religioso, não o cristão) contribui muito para essa idéia de se isentar. Posso olhar para o movimento evangélico brasileiro e observar a visão ufanista que contagia a maioria das pessoas onde se apresenta uma proposta de vida positivista do progresso infinito, cumulativo, onde supostamente Deus vai satisfazer todos os meus caprichos, de maneira ascendente, e os problemas nunca me tocarão, se eu seguir todos os ritos religiosos concernentes. Tenho a impressão que a idéia de adoração a Deus nos cultos já está ficando ultrapassada. Parece-me que a grande corrida é descobrir o que tenho que fazer para Ele (Deus) dar um jeitinho a meu favor lá no Céu.

Bem, só não podemos esquecer que vivemos num mundo contingencial, e o fato de sermos cristãos não elimina a possibilidade de sofrer as tais contingências da vida. O pr. Ricardo Gondim descreve muito bem esta idéia: “Nosso mundo é contingencial, espaço onde coexiste a possibilidade da saúde e da doença, dos acidentes e dos livramentos, dos absurdos e da felicidade. Alegrias, risos, festas e beleza se concretizam com as mesmas chances que as balas perdidas, o câncer e os desastres automobilísticos.”

O que quero dizer com tudo isso, é que não adianta tentar se isentar, pois somos responsáveis pela nossa vida, pelas nossas decisões. O livre arbítrio aponta diretamente para isso: sua responsabilidade e liberdade pelos seus atos. A maneira que você encarar a vida é determinante em viver bem ou não. Viva esta liberdade com intensidade, pois Deus fez o homem a sua semelhança: inteligente, com emoções e liberdade para que fossemos capazes de nos desenvolver, aprender, fazer inferência, nos relacionar, criarmos um caráter com base em princípios e valores, entre muitas outras coisas. Então, não confunda o que Paulo escreve aos Gálatas dizendo que entregou a sua vida a Jesus com a idéia de isentar do seu papel de viver, pois entregar a vida pra Ele, não está relacionado com deixar as responsabilidades de meus atos e decisões para Deus. Não faz sentido. Tenho consciência que Paulo entregou sua vida, mas isso foi uma opção dele, uma decisão, pois ele tinha consciência de quem ele era, ele sabia o que queria:“Pois, por meio da Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado com Cristo.Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” ( GL 2:19-20 NVI)

Por isso viver não é para amadores. Faz-se necessário que você descubra realmente que é você. Muitas pessoas estão vivendo uma vida confusa, pois se arma de diversas máscaras, vivendo todos os dias uma ilusão, uma vida forjada. Uma vida que por sinal não é própria, as vezes por pressões de terceiros ou medo de não ser aceito, ou ainda o medo de frustrar todos aqueles que esperam algo dela.

Bem, se você quer vencer sua crise existencial, comece se conhecendo, tendo domínio próprio e motivando-se nas suas qualidades e tratando com paciência seus defeitos, desenvolva empatia pelas pessoas e se relacione com elas, sem medo de mostrar que realmente você é, pois mesmo que você não seja notório, popular ou coisas assim, você deitará todos os dias com a consciência que vive verdadeiramente com intensidade coisas reais, amizades reais, relacionamentos reais, e verá que você tem as rédeas da sua vida. A vida é muito curta para que você simplesmente a deixe passar pela janelinha. Guarde os bons momentos, aprenda com as dificuldades, com os problemas. Não tenha medo de viver, não seja um conservador. A vida só é interessante porque ela não é previsível por isso vá e viva, ame e não se perca pelo caminho.

Flavio ( FHCA ® )

As grandes sociedades ocidentais estão cada vez mais longe da crença fundamental no valor da alma de um ser humano. Nossa tendência é ver a história em termos de um grupo de pessoas: classes, partidos políticos, raças, agrupamentos sociais. Aplicamos rótulos uns aos outros, explicamos comportamentos e atribuímos valores baseados nesses rótulos. Depois de um prolongado contato com o Dr. Brand, percebi que tenho visto os grandes problemas da humanidade a partir de um modelo matemático: percentuais do Produto Interno Bruto, renda per capita, taxa de mortalidade, quantidade de médicos por mil habitantes. O amor, porém, não é matemático; jamais poderemos calcular com precisão qual é a quantidade de bem a ser aplicada igualmente aos mais pobres e necessitados do mundo. A única coisa que podemos fazer é alcançar uma pessoa, depois outra, e mais outra, como objetos do amor de Deus ( Alma Sobrevivente – Philip Yancey – pg 85 ).

Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Para pensar....

Para pensar

“E depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos... (...)... os velhos terão sonhos, os jovens terão visões” ( Joel 2:28 )

Sinceramente, uma das coisas que mais me desagradam são os rótulos. Acredito ser um erro sem precedentes tentar definir a complexidade do ser humano e suas ações com simples generalizações.

Mas olhando para este texto de Joel, sou atraído a comentar sobre dois padrões de atitudes que fazem parte das nossas vidas e que em muitas vezes serão determinantes na maneira que iremos conduzi-la. Estou falando na possibilidade de agirmos como sonhadores ou um visionário.

Embora às vezes as diferenças destas duas atitudes não sejam tão explícitas, posso afirmar que há diferenças tanto no trato como onde tais atitudes podem nos levar. Vamos tentar entender:

Sonhar nada mais é do que ter um desejo de fazer ou conquistar algo. Como se trata apenas de um desejo, não há garantias que poderemos vê-lo sendo realizado, ou que conseguiremos fazê-lo, ou conquistá-lo, pois nos abstemos de nossa responsabilidade. Já uma visão é algo um pouco maior do que um sonho, pois esse desejo cumulativo faz com que se desenvolvam processos intelectuais, que se transformarão em estratégias, ações que aliadas a tempo dedicado, a fé e a vontade farão com que o desejo se torne um objetivo capaz de ser alcançado. A determinação que for aplicada quase nos dá a certeza de se alcançar esse desejo.

Deve ser por isso que o profeta Joel fala que os velhos teriam sonhos e os jovens visões. Normalmente uma pessoa em sua velhice sente-se cansada para novas conquistas, achando-se idosa demais para começar um novo projeto, e os seus desejos se transformam em sonhos, ela literalmente se acomoda, mas um jovem normalmente por não ter tidos tantas experiências ainda e estar no ápice da sua energia, sente-se na necessidade de partir rumo a novas conquistas, fazer novos projetos e conquistá-los, criando estratégias para que os seus desejos tornem-se palpaveis.

Só que se encararmos essas duas coisas como atitudes que desenvolvemos em nossas vidas, esta idéia de “normal” cai, pois sabemos que há milhares de jovens sonhadores e velhos visionários, porque a maneira que resolvermos agir (como sonhadores ou visionários) não depende necessariamente da idade que temos, mas sim de qual delas iremos trazer como norte para nossa vida.

Minha experiência de trabalho com jovens, me mostra que temos uma geração que abdicou das conquistas, que trilha caminhos pré-estabelecidos. Que se acostumou com as coisas como são e que prefere seguir as “regras do jogo”, mesmo que não concorde inteiramente com elas. Temos jovens com objetivos pequenos, desejos pequenos que nunca irão mudar nada pelo simples fato de serem apenas pequenos sonhadores, que querem coisas, mas não sair do statu quo, sair da zona de conforto que os cerca. Jovens que se limitam vivendo coisas pequenas, achando que isso representa toda a sua vida, que são facilmente feitos massa de manobra da mão de pessoas inescrupulosas.

Temos uma realidade pra viver, esse é o nosso momento. Tantas coisas acontecem ao nosso redor e temos condições de fazer com que elas sejam transformadas. Imagine se pessoas como Lutero, Moody, Luther King que ainda jovens simplesmente achassem que tudo que acontecia em volta deles não era de sua responsabilidade. Mas eles deram um passo: deixaram de ser sonhadores para serem visionários e sendo pessoas comuns mudaram a história e marcaram sua geração.

Tornemo-nos visionários, todos nós. Resgatem o jovem que há dentro de vocês, pois aquele que sonha viverá sempre o amanhã sem nunca viver o hoje, mas o que tem visão viverá o amanhã transformando-o em hoje. É hora de arriscarmos, de sair do nosso exilio, de rompermos a nossa bolha de proteção. É hora de assumirmos os riscos, a responsabilidade, é hora de crecermos.

Vai morrendo mais um dia
Durante o qual tive mãos, olhos, ouvidos
E o vasto mundo ao meu redor;
E amanhã é outro dia.
Porque tenho direito a dois? (G. K. Chesterton)


Responda pra você mesmo, será que é para apenas continuar sonhando?

Flavio ( FHCA ® )
I have a dream

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Reflexão

Aprendi uma grande verdade: que não teríamos tanta dificuldade de viver num mundo repleto de milagres e manifestações do divino. Acredito que há uma enorme sede no ser humano por manifestações sobrenaturais. Imagine como seria interessante se todos os dias anjos vindo dos céus aparecessem para nós, ou ainda, se o mar se abrisse todos os dias, ou que mortos ressuscitassem a todo o momento, ou se as doenças fossem milagrosamente curadas todos os dias. Com toda certeza nos daríamos muito bem com todas essas coisas.

Se olharmos para a igreja do século XXI, pode-se ver claramente que esta sede está cada vez mais acentuada, e conseqüentemente ela tem sido o estopim para as religiões capitalizarem com ela. Olhando pra dentro do mundo evangélico, vemos que há uma busca desenfreada por apóstolos, bispos, pastores que tem a oração mais forte. Há uma busca por aqueles que se intitulam curadores, abençoadores, bem sucedidos, que não vivem nas periferias do sobrenatural, mais têm mais acesso a Deus, tem mais intimidade. O que observo é que as pessoas querem aprender com eles, o grande segredo de como fazer Deus dar um jeitinho a favor delas lá nos céus.

É lamentável assistir a maioria dos programas “evangélicos” que são exibidos na TV. O que observo é que existe uma disputa entre si, como quem consegue curar mais pessoas, fazer mais milagres, conversar com mais anjos, terem mais revelações sobrenaturais, ou ainda que tem marketing mais eficiente para atrair a maior quantidade de fiéis desesperados por soluções dos seus problemas.

Mais lamentável que isto é saber que este é o modelo de vida cristã que vem sido preconizado. Na verdade eu considero este o maior paradoxo da vida cristã: todos dizem sem reservas que não são dignos da graça de Deus, que é uma demonstração enorme de amor, que não há como pagar por todo esse amor, e por outro lado, exigem as tais “promessas” de Deus. Falam: “não podemos viver esta vida desprezível, temos que ter o melhor, não podemos ser colocados em segundo plano, afinal somos os teus filhos”, e nesta concepção Deus tem que se transformar num ser elitista que vai satisfazer todos os seus caprichos e mimos, que vai ser obrigado a abençoar-me porque "sou filho" não me lembrando que hoje mesmo uma criança vai morrer de fome debaixo de uma ponte em SP, mas afinal "eu sou o filho" . Bahhh.. E os cultos de domingo deixam de ser um momento com Deus, para se um momento em que eu vou criar uma casca que vai proteger a minha vida dos problemas. Não é mais um momento de adoração, mas a forma de esterilizar minha semana para que eu não tenha cáries, para que o pneu do meu carro não fure, ou ainda para que meus inimigos não me alcancem, ou ainda, que a violência não me alcance. Deixa de ser um momento de reflexão na Palavra para se tornar a forma como vou me antecipar a todas as contingências da minha vida pra que quando elas chegarem, não seja tão mal assim.

Concluo que temos um problema crônico, e uma pergunta sempre rebate em minha mente: No que estão transformando o cristianismo? Nos meus 20 anos de caminhada cristã, sou sincero a dizer que não tenho muitas coisas sobrenaturais para contar que aconteceram comigo, aliás, acho que precisaria apenas de uma mão para contá-las, mas diferente do que se prega por ai, não me sinto menos amado por Deus por isso, ao contrário, consigo entender e sentir claramente o amor de Deus por mim, quando ele me dá a possibilidade de desenvolver minha humanidade baseados em princípios, baseados em amor, quando consigo absorver seus ensinamentos e assim me tornar uma pessoa melhor, quando estou triste atolado em problemas e sei que ele está ao meu lado, me encorajando a superá-los com dignidade, e quando tudo dá errado e ele é a motivação que me ajuda a levantar a cabeça, bater a poeira e começar tudo novamente. Sinto-me amado, pois sei que isto é uma decisão unilateral de Deus, não depende do que eu faça, ele me ama e ponto, mesmo que eu não tenha 150 milagres pra contar.

O pr. Ricardo Gondim (uma grande influência pra mim), me ensina duas grandes lições sobre a relação homem x Deus:

1 ) Viva a vida como uma aventura sem garantias
Eu escolho estar com Deus não pelas garantias que ele possa me dar, mas porque a sua dignidade, o seu amor, sua integridade são tão grandes que vale a pena estar com Ele mesmo sem garantias. Entendo que o poder do evangelho não é o que ele pode fazer pra mim e sim o que ele representa e o que ele pode gerar em mim.

2) Deixemos da necessidade de nos provar.
Quando nos tornamos cristãos queremos a todo o momento provar que não somos párias, que temos algum valor, e então sentimos a necessidade de nos provar pra pessoas. É difícil admitir que depois que aceitamos a Jesus, as vezes podemos nos tornar mais pobres, ou nossa empresa pode falir, ou roubaram o meu carro, ou se viajávamos de primeira classe agora viajamos de segunda. Como vou ficar na presença dos meus amigos... o que eu vou dizer... o que vão achar de mim.... Como não conseguimos nos provar apelamos para Deus, tipo: “Eu ando de segunda classe, mais vejo anjos”. O importante saber é que não precisamos nos provar, aliás, o amor e graça são recebidos pela fé. E o que é fé, senão “a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. É evidente que não necessitamos de provas, o exercício da nossa fé já é a totalidade, a quantidade de manifestações sobrenaturais na sua vida não são termômetro para medir o tamanho do seu amor por você. Ele te ama, porque como disse, é uma decisão unilateral de Deus.

Bem termino chamando sua atenção para algo. Não deixe que sua busca desenfreada por resolução dos seus problemas, por milagres, por dinheiro ou bens, seja um empecilho para atrapalhar o seu relacionamento com Deus. Lembre-se que problemas resolvidos geram novos problemas. A vida é assim. Mas, um dia em que não me relaciono com Deus não irá voltar, vai ser uma oportunidade perdida de provar do amor que o levou a cruz na pessoa de Jesus. Deixemos nossa vida religiosa. Cristianismo não é religião, não é um manual de coisas que tenho que fazer para ter uma vida melhor.... não transformemos o cristianismo em algo simplista e religioso. Somos sujeitos a contigências da vida. Mas nosso maior trunfo não é sair dela de uma maneira sobrenatural, mas reconhecer que não estaremos sozinhos, e temos onde repousar e descansar, e que somos livres. Pense nisso

Flavio ( FHCA ® )
I have a dream ( Luther King Jr )

Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Milagre


Hoje estou muito feliz, pois presenciei um milagre. Não vi nenhum morto levantar, ou um câncer ser curado, nem vi um paralitico sair andando e nem um cego enxergar. Também não vi dinheiro aparecer, ou ainda anjos descendo e subindo. Você deve estar se perguntando: Que raios de milagre que você viu então?

Posso lhe garantir que é um milagre muito grande. O milagre do Amor de Deus. O milagre do Deus relacional que se sensibiliza com o sofrimento humano. O milagre do Deus que está com as pessoas quando elas caminham por “vales escuros”. O milagre do Deus presencial que faz com que a sua presença seja o fator determinante para que não se perca as esperanças, mesmo quando tudo parece perdido. Sim, eu o presenciei, o milagre do amor.

Muito se fala de acontecimentos mirabolantes, na verdade, são esses acontecimentos que as pessoas esperam ver. O milagre do amor na maioria das vezes não pode ser enxergado, mesmo deixando sinais tão claros. Sempre foi assim, basta olharmos para Jesus quando estava na cruz, muitos não conseguiam enxergar um milagre ali, ao contrário, diziam a alta voz que ele havia sido derrotado, mas diferente do que a maioria pensava, ali estava ocorrendo um milagre, possivelmente o maior deles.

O milagre do amor é fantástico, pois ele penetra no mais profundo dos corações humanos, fazendo gerar o mesmo sentimento de misericórdia, amizade, compreensão, que estava em Jesus. Faz com que se restaure a dignidade, que se enobreçam as relações interpessoais. Ele faz com que os homens chorem com os que choram e se alegrem com os que se alegram, faz com que o sofrimento humano possa ser atenuado, faz com que a idéia de Corpo de Cristo faça algum sentindo, isto tudo por causa do amor.

Foi esse o milagre. Eu pude presenciar Deus olhando por uma família, que estava numa situação difícil. Eu o vi apoiar esta mesma família quando a situação estava próxima a desesperadora usando pessoas para participar do seu sofrimento, lhes dizendo palavras de coragem e apoio. Eu vi Deus dar condições para que a dignidade fosse novamente restaurada, e mostrar que aquela pequena contingência humana não era capaz de intervir na coisa mais importante que poderia haver ali: o amor recíproco entre eles e Deus. Eu pude enxergar o próprio Deus a todo o momento dando o seu peito para que eles pudessem ali se apoiar e derramar as suas lágrimas, sempre os encorajando, estando com eles por todo o tempo.

O grande milagre não foi Deus fazer algo sobrenatural, até porque mais sobrenatural foi a capacidade de fazer o seu amor penetrar nos corações de pessoas comuns que da maneira como deu estenderam as suas mãos, sem precisar que nada viesse em troca a não ser a reciprocidade deste amor. Sobrenatural mesmo e a forma como o amor de Deus nos toca, a forma com que ele nos constrange. Realmente o mundo não pode entender e explicar isso.

Termino com uma frase do Pr. Ricardo Gondim:

“Precisamos de outras respostas para o sofrimento humano; os pressupostos desses evangélicos, que anunciam cura com tanto estardalhaço, não abarcam a complexidade do sofrimento universal.

Proponho que os prodígios do Evangelho sejam outros; que a presença de Deus se revele no serviço, no amor solidário e na compaixão. Que as mãos e os pés de Deus sejam as mãos e os pés dos que não fogem da dor alheia."



Flavio ( FHCA ® )

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Quem são os verdadeiros irracionais?

video

Olá pessoal,

O vídeo acima faz gerar em mim uma mescla de surpresa e indignação, pois por mais absurdo que pareça ser, esta é uma realidade que está ai para quem quer ver. A família perdeu o sentido para a maioria dos seres humanos.

É comum hoje ver familias sendo desfeitas, crianças sendo abandonadas ou as vezes mortas por mães adolescentes que tiveram uma gravidez não planejada, pois não se cuidaram na hora de se entregarem precocemente aos namorados. Crianças que crescem sem uma estrutura familiar concreta pois os pais resolverevam se separar, por motivos diversos, e na maioria das vezes triviais. Quantas crianças nem chegam a nascer, pois foram brutamente abortadas, sem nem ao menos ter chance de vir ao mundo. Quantas familias desestruturadas, que embora morem sob o mesmo teto são como estranhos uns para os outros. Quantos outros casos em que o egoísmo e a irracionalidade superam os valores tão integros da familia.

A família foi algo idealizado no coração de Deus, mas o ser humano mais uma vez mostra que sabe estragar tudo.

Devemos rever nossos conceitos, os animais criam laços com suas crias, embora sejam chamados irracionais. Nós, os racionais, as vezes nem conseguimos mais nos chocar com tudo isso, pois já aceitamos como algo normal, parte do nosso mundo moderno, onde não há espaço para essa besteira de "laços familiares". E mais uma vez essa pergunta ressoa dentro de mim: Quem são os verdadeiros irracionais? Precisamos colocar a nossa capacidade de amar em prática.

Flavio ( FHCA ® )